COVID-19 – Estarão as terapias manuais em risco?

08/04/2020 Não Por cursodem

Artigo de opinião

|Dr. José Bilro
|Farmacêutico
|Diretor e Gestor de Formação CFM Centro Formação Massagistas
|Membro da Direção APMTM Associação Portuguesa de Massagistas e Terapeutas Manuais

É uma pergunta que muitos, dos profissionais do setor das terapias manuais (fisioterapeutas, osteopatas, massagistas, terapeutas de spa e outros profissionais manipulativos) colocarão.
Uma certeza teremos…a vida nunca mais será a mesma após a crise pandémica COVID-19.
Estamos a ser estimulados a hábitos de higiene muito mais rigorosos, tais como, lavar as mãos com muito mais frequência e de forma mais cuidada e eficiente, espirrar ou tossir para um lenço de papel ou em alternativa usando o braço ou manga com o cotovelo fletido e teremos muito mais atenção quando manifestamos estes sintomas ou observamos em alguém próximo de nós.
Mas que implicação com o exercício profissional de fisioterapia, osteopatia e massagem terá? Vejamos:


a) A transmissão da doença na atividade profissional
As terapias manuais implicam contacto físico e a COVID-19 transmite-se por contacto próximo com pessoas infetadas pelo vírus, ou superfícies e objetos contaminados.
É de salientar que a transmissão é realizada através de gotículas libertadas pelo nariz ou boca das pessoas infetadas quando tossem ou espirram, que podem atingir diretamente a boca, nariz e olhos de quem estiver próximo, neste caso, o profissional das terapias manuais.
As gotículas podem depositar-se nos objetos ou superfícies que rodeiam a pessoa infetada. Por sua vez, outras pessoas podem infetar-se ao tocar nestes objetos ou superfícies e depois tocar nos olhos, nariz ou boca com as mãos.


b) A imunidade ao novo corovírus
Akiko Iwasaki, imunologista japonesa, que participou esta segunda-feira numa videoconferência promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian sobre as respostas sanitárias, económicas e políticas à covid-19, disse que a concessão de um “passaporte de imunidade” desta doença respiratória, defendida pela Alemanha, “tem de ser considerada com cuidado”, pois “ter anticorpos”, por si só, contra o coronavírus SARS-CoV-2 não significa que “se vai estar protegido de uma reinfeção” ou que “não se vai contagiar” alguém.
Corroborando a cautela de Akiko Iwasaki, o diretor do Instituto Pasteur, Stewart Cole, defendeu que é preciso “mais tempo” para se saber quais os “anticorpos específicos” que se vão ligar ao coronavírus e conferir uma proteção do organismo contra a covid-19.
Nesse sentido, o microbiologista sublinhou que “é muito cedo” para dizer que tipo de vacina, que induz a produção de anticorpos, será mais eficiente para prevenir a doença.


c) Procedimentos dos terapeutas manuais
Em princípio a partir de maio, gradualmente os profissionais das terapias manuais voltarão à sua atividade.
Embora estejamos numa determinada fase pandémica no país, o risco de contrair COVID-19 a partir de alguém sem sintomas é muito baixo. No entanto, muitas pessoas infetadas apresentam apenas sintomas ligeiros, sobretudo na fase inicial da doença. Portanto, é possível contrair o vírus de alguém que tenha apenas uma tosse ligeira, por exemplo, e não se sinta doente.
Como prevenir?
Além de todas as medidas de prevenção que a Direção Geral de Saúde tem veiculado, penso que faz sentido, nos próximos meses antes de iniciar uma terapia, o uso de meios de proteção individual para os profissionais, nomeadamente o uso de máscara e o recurso a uma solução à base de álcool a 70%, além da habitual lavagem de mãos durante 20 segundos com água e sabão antes e depois da terapia.
Ao longo dos próximos meses, muitos de nós, mesmo assintomáticos, iremos adquirir imunidade e também chegará a vacina.

As terapias manuais gradualmente voltarão ao ser normal curso.